Califórnia sem carro

26.12.2017

Por-do-sol na praia de Oceanside (California, EUA).

Por-do-sol na praia de Oceanside (California, EUA).

 

Os EUA foram o primeiro país que visitamos na nossa volta ao mundo. Ficamos 20 dias na California, passando por Oceanside, Los Angeles, Santa Barbara e San Diego. Mas, ao contrário do que muita gente imagina quando se fala em viagem pela California, nós não fizemos uma road trip — e não dirigimos pela famosa Highway 1 — porque não cabia no nosso orçamento alugar um carro por tantos dias.

 

A California é o segundo estado mais caro dos EUA, e todas as pesquisas e simulações que fizemos para aluguel de carro ficavam muito acima do que esperávamos (além do preço mostrado na reserva que você faz em qualquer um dos buscadores online, sempre tem o valor do seguro que no fim acaba quase sempre dobrando o preço total que você tem que pagar!). Então pesquisamos algumas alternativas, como ir de trem ou ônibus.

 

Descobrimos as empresas Pacific Surfliner (de trem) e Greyhound (de ônibus), sendo que o valor das passagens de trem eram quase sempre o dobro das passagens de ônibus, e ainda tinham menos opções de horários.

 

Acabamos fazendo todos os trajetos com a Greyhound, e foi tudo muito tranquilo e eficiente, com exceção de um episódio na rodoviária de Los Angeles, que vamos contar no final desse texto.

 

Rodoviária de Oceanside (California, EUA).

Rodoviária de Oceanside (California, EUA).

 

Você pode comprar as passagens online e pagar com cartão de crédito, ou apenas reservar no site e pagar em dinheiro direto na rodoviária (no balcão da Greyhound), ou em algum ponto autorizado (como as lojas de conveniência 7-Eleven, super comuns na maioria das cidades).

 

Vale lembrar que, quanto maior a antecedência com que você comprar as passagens, melhor o preço que você vai encontrar. Mas a diferença não é tão grande também, coisa de US$5 a mais ou a menos.

 

Bom, chega de enrolação e vamos ao nosso roteiro pela California:

 

CHEGANDO NOS EUA

 

Esperando o metrô em Los Angeles.

Usamos ônibus e metrô quando chegamos em Los Angeles.

 

Nosso vôo saiu de São Paulo às 19h do dia 7 de novembro, e chegou em Los Angeles no dia 8 pela manhã. O aeroporto mais próximo de Oceanside, na verdade, é o de San Diego, mas o vôo para Los Angeles estava mais barato.

 

No aeroporto, tem duas opções para quem não está de carro: pegar um shuttle gratuito (LAX Shuttle) que vai direto para o metrô mais próximo (a estação Aviation, na Green Line). Ou pegar o FlyAway Bus, que deixa na LA Union Station (a estação central de Los Angeles) e custa US$9,75 por pessoa.

 

Pra gente não era interessante ir para o centro de Los Angeles, pois o ônibus que nos levaria para Oceanside saía de Long Beach. Pegamos então o shuttle gratuito e fomos de metrô até Long Beach.

 

Descemos na estação Pacific Coast Hwy (Blue Line), e de lá, caminhamos cerca de 5min até a estação da Greyhound para pegar o ônibus que nos deixaria em Oceanside.

 

Nesse vídeo a gente mostra como foi todo esse trajeto:

1º DESTINO: OCEANSIDE

 

O famoso Pier de Oceanside.

Píer de Oceanside, o nosso primeiro destino na California.

 

Já falamos aqui um pouco sobre essa cidade californiana não muito conhecida. A Tatá tem uma tia que mora lá, então aproveitamos para dar um oi e atualizar nossos equipamentos de foto, vídeo e de mergulho que vamos usar ao longo da viagem.

 

A principal atração da cidade é um píer de madeira com mais de 500m de extensão, e descobrimos também um passeio de barco super legal para avistar baleias e golfinhos. A gente mostra tudo isso aqui.

 

Durante os 5 dias iniciais que ficamos lá, fizemos também um bate-volta até San Diego, para conhecer o USS Midway (um porta-aviões que foi usado na Segunda Guerra e hoje funciona como museu) e para fazer uma aula de surfe! As duas cidades são bem próximas e levamos cerca de 40min de carro no trajeto de ida, e um pouco mais na volta, porque pegamos trânsito no horário do rush.

 

Isso é algo para se lembrar se você estiver planejando viajar de carro pela California: quase sempre tem trânsito de manhã e no fim da tarde nos trajetos entre-cidades. =/

 

 

2º DESTINO: LOS ANGELES

 

Letreiro de Hollywood no Griffith Observatory

O Griffith Observatory foi um dos nossos lugares preferidos em Los Angeles.

 

A passagem de ônibus de Oceanside para Los Angeles custou US$14 por pessoa e, chegando na rodoviária, pegamos um Uber até o Airbnb que tínhamos reservado.

 

Nós tínhamos lido em vários lugares sobre a necessidade de se alugar um carro em Los Angeles, pois o transporte público de lá é muito precário. Mas nós quisemos dar uma de espertinhos e arriscar. Vamos escrever ainda um post falando melhor sobre isso, mas a nossa conclusão foi: é quase impossível usar o transporte público de LA! rs

 

Tem poucas linhas cobrindo a cidade, os poucos ônibus demoram demais para passar e não é muito simples de entender o funcionamento do TAP card (que seria como “Bilhete Único” que temos em São Paulo). Resultado: acabamos usando Uber praticamente o tempo todo!

 

Como ficamos poucos dias, foi até mais barato do que alugar um carro (e ter que pagar combustível, seguro e estacionamentos, pois não é fácil encontrar vaga na rua). Ou seja, dependendo da quantidade de dias que você for ficar em Los Angeles, usar o Uber pode ser mais vantajoso! O aplicativo funciona muito bem por lá, sempre tinha um carro próximo e você não tem dor de cabeça nem com GPS nem procurando vaga na rua.

 

Além do Uber, descobrimos e usamos outro app que funciona em LA e às vezes tem tarifa mais barata, o Lyft. Vale a pena baixar e comparar! 😉

 

Parque de diversões do Píer de Santa Mônica

O parque de diversões do Píer de Santa Mônica é um dos lugares mais fofos de Los Angeles.

 

Em 3 dias, visitamos 4 lugares: Hollywood (a Calçada da Fama e o Teatro do Oscar), Griffith Observatory (um lugar cheio de informação sobre os planetas e o universo, além de ter uma vista incrível de Los Angeles), os estúdios da Warner Bros (indispensável principalmente para os amantes de Friends) e o Píer de Santa Mônica (pra voltar a ser criança no parque de diversões mais lindo e colorido <3).

 

 

3º DESTINO: SANTA BARBARA

 

Por do sol na praia em Santa Barbara

Ficamos apenas 1 dia em Santa Barbara, mas foi o suficiente para nos apaixonarmos pela cidade.

 

Fomos para Santa Barbara com um objetivo principal: mergulhar! Fizemos um Liveaboard de 2 dias nas Channel Islands e com isso acabou sobrando só mais 1 dia para conhecermos a cidade de fato.

 

Com tão pouco tempo, optamos por não nos aventurarmos pelo centro ou fazer passeios mais longos, e com isso não gastamos com deslocamentos dentro da cidade. Nos hospedamos em um hotel próximo da marina, e fizemos tudo a pé, aproveitando a caminhada em si como parte do passeio.

 

A passagem da Greyhound de Los Angeles para Santa Barbara foi US$19 por pessoa, e a estação de ônibus ficava bem perto tanto de onde saía o Liveaboard quando do hotel onde ficamos depois, então realmente não tivemos problemas nos deslocamentos.

 

Saímos de Santa Barbara no dia 21 de novembro e voltamos para Oceanside para passar o Thanksgiving com os tios da Tatá. Nessa volta, o ônibus fez uma parada em Los Angeles e foi aqui que tivemos o probleminha que citamos no início desse texto.

 

Compramos a passagem pelo site da Greyhound, e até onde sabíamos, seria uma viagem direta de Santa Barbara para Oceanside. Em nenhum lugar estava indicado que haveria essa pausa em Los Angeles. E aí nós descobrimos que não só tinha essa parada, como também nós deveríamos trocar de ônibus.

 

Até aí tudo bem, mas acontece que o nosso ônibus atrasou (lembra que eu falei que tinha trânsito?) e, quando chegamos em Los Angeles, o ônibus com destino a Oceanside já tinha partido. Ninguém sabia nos orientar direito como proceder e começamos a pensar que deveríamos aguardar cerca de 4h para pegar o próximo ônibus.

 

Mas logo um dos funcionários nos informou que poderíamos pegar o próximo ônibus com destino a San Diego, que eles iriam incluir uma parada para Oceanside. No fim, tudo certo! Só achamos a rodoviária de Los Angeles um tanto quanto desorganizada, e os funcionários de má vontade. Em todas as outras que passamos, não tivemos nenhum tipo de problema.

 

 

4º DESTINO: SAN DIEGO

 

Delícia de tarde na baía de San Diego.

Delícia de tarde na baía de San Diego.

 

Após o retorno para Oceanside, seguimos para San Diego, dessa vez para ficar uns dias por lá e não apenas fazer um bate-volta.

 

O tio da Tatá nos deu uma carona até o hotel e assim conseguimos economizar com a passagem de ônibus. Ficamos 3 dias na cidade e, como já tínhamos conhecido a região de La Jolla quando fizemos a aula de surfe, dessa vez concentramos a maior parte das nossas atividades no Downtown.

 

Passeamos pela baía de San Diego, andamos de bike, visitamos o Museu de História Natural e um Museu Aeroespacial (que ficam dentro do Balboa Park), fomos no Fashion Valley (um shopping enorme e cheio de lojas legais) e nos divertimos muito com uma pista de patinação no gelo montada para comemorar o início das festas de fim de ano.

 

Nosso deslocamento pela cidade foi mais uma vez com Uber e Lyft, pois era a melhor opção para otimizar o tempo e conseguir fazer tudo que queríamos.

 

Downtown San Diego.

Downtown San Diego.

 

Resumindo: com pesquisa e planejamento, é possível sim viajar pela California sem carro. Claro que deixamos de fazer alguns passeios e poderíamos ter conhecido mais lugares se estivéssemos com um carro, mas como esse foi apenas o primeiro destino de uma viagem de volta ao mundo, optamos pela alternativa mais econômica.

 

Você já fez uma viagem pela California? Conta pra gente a sua experiência!

 

Se tiver alguma dúvida sobre a nossa, só deixar aqui nos comentários ou mandar um e-mail pra gente!

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2 COMMENTS

  • Cecilia Medeiros disse:

    Estou amando esse blog sobre a volta ao mundo de vcs !!!! Me diz uma coisa, o cartão Travel money….foi fácil em L.A. encontrar maquinetas que aceitavam ele?

    • profundo disse:

      Oi Cecília! Que bom que está gostando!! Obrigado! =)
      Então, nós não estamos usando o Travel money… achamos que não ia compensar pq não vamos usar só dólar durante a viagem né, e tem que ser um cartão pra cada moeda diferente. Optamos por sacar dinheiro usando cartão de débito do banco mesmo (nos ATMs da rede conveniada, que são quase todos). E às vezes usamos o cartão de crédito também. Já usamos o Travel money na Europa em uma outra viagem, e foi bem tranquilo de usar por lá, mas nos EUA não sabemos te dizer… =/

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