Como passar mais de 3 meses viajando

08.09.2015

Quase 4 meses vivendo nesse paraíso!

Mergulhos, praias, tartarugas, cenotes e pôr-so sol… Quem acompanha o Instagram do Profundo no Mundo pode pensar que a nossa vida aqui em Cozumel é só isso e que somos ricos para ficar viajando por mais de 3 meses, só curtindo o que a vida tem de bom para nos oferecer. Mas a nossa realidade não é bem assim.

Antes de mais nada, já avisamos que esse não é mais um texto que vai te falar pra pedir demissão, largar tudo e ser feliz pelo mundo. Não. Sabemos que trabalhar é importante, porque é assim que você vai conseguir o dinheiro necessário para poder viajar e fazer tudo que sempre teve vontade. Nossa intenção aqui é contar como está sendo a nossa experiência de viver 114 dias longe de casa, sem um trabalho formal, e, quem sabe, servir de inspiração para aqueles que também têm a intenção de fazer algo do tipo.

 

As fotos que postamos representam apenas cerca de 10% de como passamos o nosso tempo na viagem. Os 90% restantes estão divididos entre fazer compras no supermercado, cozinhar, lavar louça, cuidar da casa e trabalhar. Ou seja, uma vida normal, sem muito glamour

Mergulhando no trabalho!

Embora muitos pensem que atualizar um blog (e suas redes sociais) seja uma coisa simples (e nós também pensávamos isso antes), descobrimos que não é. Tratar as fotos, escrever os textos, converter o material gravado, editar os vídeos, traduzir, legendar, produzir a próxima gravação… tudo isso leva tempo e exige um trabalho mental que nem sempre está à nossa disposição, chamado criatividade.

 

Podemos afirmar com certeza que passamos a maior parte da nossa viagem na frente do computador, fazendo todas essas tarefas que listamos acima. Estamos reclamando? De jeito nenhum! Não tem coisa melhor do que trabalhar em um projeto que é nosso, algo que criamos e que acreditamos. Sem chefes, sem horários a serem cumpridos, sem burocracias. Fazemos porque queremos e porque gostamos. Melhor que isso, só se estivéssemos recebendo financeiramente por todo esse trabalho… o que não estamos.

 

“E como bancar uma viagem de 3 meses assim? São ricos!”

 

Não, não somos. Fizemos o que todo mundo faz antes de sair de férias, ou antes de comprar algo que deseja muito: economizamos. Só que economizamos proporcionalmente ao que pretendíamos gastar. Juntamos o que guardamos durante anos trabalhando, e investimos em uma viagem que acreditamos ter potencial para mudar a nossa forma de encarar a vida. E, sinceramente, para nós, esse foi o melhor investimento que fizemos até hoje.

Mas é claro que o dinheiro, uma hora, acaba. Para evitar que isso acontecesse com a gente no meio da viagem, e nos forçasse a voltar para casa antes do previsto, começamos a buscar formas alternativas de trabalho, sem que para isso tivéssemos que ficar ilegais em um país estrangeiro. Foi assim que chegamos em um lugar que marcou definitivamente a nossa estadia aqui: a operadora de mergulho Elite Dive Center.

 

Na verdade, chegamos lá por outro motivo. Estávamos pesquisando em vários lugares o preço de 2 coisas: regulador (era o que faltava no nosso equipamento de mergulho) e curso de Divemaster (que o Rafa queria fazer). Na Elite, não só encontramos o que estávamos procurando como fomos atendidos pelo próprio dono da loja, Javier Mendoza, que chegou com o sorriso mais acolhedor que já tínhamos recebido aqui na ilha até então.

 

Conversando um pouco sobre o nosso projeto e a nossa experiência com audiovisual, o Javier logo nos convidou a ficar na loja e oferecer nossos serviços de vídeo para os clientes que fossem mergulhar com eles. Em troca, conseguiríamos abater parte do valor do curso de Divemaster, e ainda conseguimos um desconto para quando quiséssemos mergulhar. Topamos na hora!

 

Para ter um pouco de noção, um curso de Divemaster aqui na ilha custa algo em torno de US$1.000. Ou seja, qualquer desconto em cima desse valor seria super bem-vindo para ajudar a reduzir o orçamento da viagem. Claro que a maior parte dos nossos gastos continuou saindo das nossas economias anteriores, mas descobrimos na troca de serviços uma forma de viabilizar certas coisas que antes só seriam possíveis com um investimento financeiro. 

 

Além dos vídeos para os clientes, acabamos ajudando também na divulgação da loja, criamos um site para eles e, em troca, além dos descontos, ganhamos também uma amizade que vai continuar com a gente no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo. E essa, sem dúvidas, é a melhor recordação que vamos levar de Cozumel. 

No final das contas, a porcentagem do tempo que passamos “trabalhando” aqui — seja no blog, na loja ou no documentário sobre as tartarugas — foi muito maior do que qualquer outra coisa, mas foi a forma que encontramos para ajudar a viabilizar essa e futuras viagens que queremos fazer. E foi um trabalho muito prazeroso, pois foi uma escolha 100% nossa.

 

Se você também tem esse sonho de fazer uma grande viagem, dar a volta ao mundo, ou algo parecido, mas acha que não tem dinheiro suficiente para bancar isso, comece a pensar mais no assunto! Veja se tem algo que você sabe fazer, ou que pode aprender a fazer, e utilizar como moeda de troca nos lugares por onde pretende passar. 

 

Aliás, existem vários sites que facilitam essa troca e ajudam a encontrar lugares pelo mundo que oferecem hospedagem para estrangeiros dispostos a “trabalhar” poucas horas por dia, como recepcionista, guia turistico, ajudante de cozinha, fotografo, tradutor etc. Um desses sites é o Worldpackers que, inclusive, foi criado por brasileiros!

Gravando para o documentário sobre as Tartarugas Marinhas.

Sabemos que isso de trabalhar e viajar não é algo simples de se conquistar e com certeza você, assim como nós, passará por alguns perrengues antes de conseguir colocar todas as finanças em ordem, mas perrengues fazem parte da viagem! São através deles que as grandes histórias são feitas.

 

E, no final, quando olhar pra trás, você só lembrará das coisas boas, que  te farão esboçar um sorriso no rosto, e a certeza de ter feito a escolha certa. 

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