Desmatamento no Amazonas pode prejudicar as praias do Caribe

30.08.2015

A quantidade de sargaço presente nas praias dos Estados Unidos e Caribe vem aumentando gradativamente, e fatores como o aquecimento global e o desmatamento às margens do rio Amazonas podem estar contribuindo para isso.

 

A primeira vez que vimos essa alga por aqui foi quando fizemos uma volta em torno da ilha (em junho/2015) e encontramos as praias do lado leste assim: lindas, mas com essa faixa marrom na areia, que são algas marinhas conhecidas como sargaço.

 

As praias do leste da ilha estavam cobertas de sargaço.

Enquanto o volume de sargaço estava pequeno como na foto acima, não era assim um problema muito grave. Acontece que nos últimos meses a quantidade dessas algas se multiplicou de tal forma que o Mar do Caribe, conhecido pela famosa coloração azul-turquesa, está ficando marrom, gerando um problema dos grandes para a indústria do turismo.

 

Mas afinal, o que é o sargaço e por que ele está invadindo o Caribe agora?

Pesquisamos um pouco e descobrimos que, na verdade, não é de hoje que se observa um acúmulo dessas algas na região. Durante a primavera e o verão, sempre foi normal a presença delas nas praias dos Estados Unidos e Caribe, mas desde 2011 essa quantidade vem aumentando gradativamente. E esse ano atingiu níveis nunca antes registrados.

 

Vamos tentar chegar à origem do problema:

 

Existe uma região entre o Golfo do México e o Atlântico Norte que ficou conhecida como “Mar de Sargaços“, por acumular uma grande quantidade dessas algas flutuantes. O primeiro relato oficial da existência dessa região foi feito por Cristóvão Colombo, em 1492. Ao avistar os sargaços flutuando em pleno Atlântico, ele pensou que já estava se aproximando de terra firme, e isso o motivou a seguir viagem em direção às Américas.

 

Localização do “mar de sargaços”

Parte do ecossistema marinho e importante fonte de alimento para tartarugas, peixes, mamíferos e até mesmo aves, o sargaço encontrado nessa região permanece ali graças à presença de correntes contrárias que o rodeiam: a Corrente do Golfo, do Atlântico Norte, das Canárias e a Corrente Norte Equatorial.

 

Ninguém sabe ao certo o real motivo para o aparecimento de tanto sargaço nas praias do Caribe e Estados Unidos, mas vários fatores são apontados como possíveis causas, e um deles é o aquecimento global. O aumento da quantidade de CO2 presente na atmosfera e sua consequente absorção pela água do mar provoca um efeito conhecido como acidificação dos ocenos, o que estimula a reprodução dessas algas.

 

Outro fator que pode estar influenciando nesse sentido são os fertilizantes originários das áreas cultivadas próximas ao rio Amazonas. Com o desmatamento nas margens do rio, esses produtos químicos acabam escoando para as águas fluviais que vão acabar na corrente marítima. E eles também têm influência no aumento da taxa reprodutiva do sargaço.

 

Isso tudo, somado às alterações das correntes que circundam o “Mar dos Sargaços”, normais nessa época do ano, pode estar provocando esse pesadelo caribenho que parece não ter fim.

 

Pesquisando mais sobre as áreas afetadas, descobrimos que a Riviera Maia é a região que mais sofre atualmente. Cancún, Playa del Carmen, Tulum — onde estivemos recentemente — e mais uma série de praias na costa do estado de Quintana Roo estão lotadas de sargaço. A vantagem de Cozumel, onde estamos, está no fato de ser uma ilha e, por isso, só um dos seus lados está afetado, no caso, o lado leste. A praia do centro e os principais pontos de mergulho (ainda) estão preservados com seu azul-turquesa infinito.

 

Embora inofensivo para a saúde do ser humano, a presença de sargaço nas praias afugenta o turista pelo cheiro forte que exala, pela presença de pequenas pulgas que ficam presas entre as algas e podem irritar os de peles mais sensíveis e, obviamente, pela beleza roubada das praias.

 

Fica, então, o alerta: se você estiver planejando férias para a região, pesquise muito bem antes sobre as condições das praias para não acabar frustrado e decepcionado, ou procure se informar sobre as atrações alternativas que os destinos oferecem, como é o caso do mergulho em Cozumel, os shoppings de Cancún e os cenotes e ruínas maias de Tulum.

 

Quando iríamos imaginar que o rio Amazonas teria alguma relação com a coloração azul-turquesa do mar do Caribe? Isso vale também para lembrarmos que tudo está interligado. O lixo que você joga no chão, em uma praia no Guarujá pode ter consequências irreversíveis em uma ilha paradisíaca na Tailândia, por exemplo…

 

Enquanto não assumirmos para nós mesmos que somos os responsáveis por muitos problemas ambientais do passado, do presente e do futuro, pouco ou nada poderá ser feito para reverter situações desagradáveis, como é o caso do sargaço no Caribe. É preciso uma mudança de atitude em escala global, e essa mudança começa com cada um de nós.

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