JACQUES COUSTEAU e uma CARTA AOS MERGULHADORES
Se você gosta de mergulhar, provavelmente em algum momento já ouviu falar de Jacques Cousteau. Oficial da Marinha francesa, oceanógrafo, cineasta e explorador, ele não só ajudou a criar o Aqualung (equipamento que deu origem ao mergulho autônomo como praticamos hoje), como também fez o mundo olhar para o oceano de outra forma.

Jacques Cousteau se empenhou para adaptar equipamentos de filmagem para uso subaquático e, como já falamos aqui, muitos atribuem a ele a “descoberta” de Cozumel para o mundo.
Com sua boina vermelha característica, Cousteau acreditava que “só protegemos o que conhecemos” e dedicou a vida a mostrar a beleza e a fragilidade dos oceanos, registrando em filmes e séries de TV lugares que ninguém fora do mar tinha visto. Suas expedições a bordo do navio Calypso revelaram ecossistemas desconhecidos e inspiraram gerações a respeitar a vida marinha.
Neste post, compartilhamos uma de suas mensagens mais marcantes, a Carta aos Mergulhadores. O texto traduz a conexão profunda que sentimos quando estamos debaixo d’água e lembra por que vale a pena cuidar desse mundo todo azul.
CARTA AOS MERGULHADORES
Como todos os seres humanos, nascemos no coração marrom da mãe-terra. Temos braços e pernas e respiramos oxigênio que entra em pequenos pulmões. Passamos grande parte da nossa vida na posição vertical, que nos dá uma maior autonomia e um maior conforto na terra. Vistos superficialmente, somos iguais a todos os seres humanos.
Mas, analisando um pouco mais fundo, alguma coisa nos faz diferente. Nascemos com os olhos acostumados ao azul das águas. Temos um corpo que anseia pelo abraço do mar. E um pulmão que aceita grandes privações de ar apenas para prolongar nossa vida no mundo azul.
Somos homens e mulheres de espírito inquieto. Buscamos na nossa vida mais do que nos foi dado. Passamos por grandes provas para aproximar-nos dos peixes. Transformamos nossos pés em grandes nadadeiras, seguramos o calor do nosso corpo com peles falsas e chegamos até a levar um novo pulmão em nossas costas.
E tudo isso para quê ? Para podermos satisfazer uma paixão. Um sonho. Porque nós, algum dia, de alguma maneira, fomos apresentados a um mundo novo. Um mundo de silêncio, de calma, de mistério, de respeito e de amizade. E esta calma e este silêncio nos fizeram esquecer da bagunça e da agitação do nosso mundo natal.
O mistério envolveu nosso coração sedento de aventura. O respeito que aprendemos a ter pelos verdadeiros habitantes desse mundo. Respeito esse que, só depois de ter sentido a inocência de um peixe, a inteligência de um golfinho, a majestade de uma baleia ou mesmo a força de um tubarão, podemos compreender.
E a amizade. Quando vamos até o fundo do mar, descobrimos que ali jamais poderíamos viver sozinhos. Então levamos mais alguém. E esta pessoa, chamada de dupla, companheiro ou simplesmente amigo, passa a ser importante para nós. Porque além de poder salvar nossa vida, passa a compartilhar tudo o que vimos e sentimos. E em duplas, passamos a ter equipes. E estas equipes passam a ser cada vez maiores e mais unidas.
E assim entendemos que somos todos velhos amigos, mesmo que não nos conheçamos. E esse elo que nos une é maior do que todos os outros que já encontramos. E isso faz que nós, mais do que amigos, sejamos irmãos. Faz de nós, mergulhadores.
Jacques Yves Cousteau
(11/jun/1910 – 25/jun/1997)
O legado de Cousteau
Cousteau partiu em 1997, mas o legado dele continua vivo em cada mergulho que fazemos e em cada imagem que nos lembra da importância de cuidar do oceano.
Outra pioneira que segue o mesmo caminho e também nos inspira profundamente é a bióloga marinha e exploradora norte-americana Sylvia Earle, conhecida como “a Dama das Profundezas”. Assim como Cousteau, ela dedicou a vida a estudar e proteger os oceanos, liderando expedições marítimas. Além disso, com o projeto Mission Blue, ela identifica e defende “Hope Spots”, áreas essenciais para a saúde do planeta, reforçando a mesma mensagem de que “só protegemos o que conhecemos”.

Seja explorando um recife de coral, aprendendo a mergulhar ou simplesmente apoiando iniciativas de conservação marinha, cada um de nós pode ajudar a manter esse legado e proteger os oceanos e a vida marinha.
E você, já teve a chance de conhecer o fundo do mar? Conta pra gente nos comentários! Vamos adorar saber mais sobre a sua experiência.
