MERGULHO EM RECIFE: como é mergulhar nos naufrágios de Pernambuco
Estivemos em Recife durante o feriado de Finados, para mergulhar nos famosos naufrágios de Pernambuco. Foram 5 dias de uma visibilidade digna de qualquer mar caribenho e muita vida marinha… sem exageros! O mergulho em Recife é um dos melhores do Brasil, e neste artigo vamos contar como foi a nossa experiência.
Conhecida como a Capital Brasileira dos Naufrágios, Recife conta com 18 embarcações afundadas na região denominada Parque Artificial de Naufrágios de Pernambuco. A maioria se trata de rebocadores, afundados propositalmente, com o intuito de induzir a formação de recifes artificiais e, consequentemente, atrair mais turistas para a região.

Essa foi a nossa primeira vez em Recife, e já escrevemos outro artigo com algumas dicas do que fazer na cidade. Porém, em 2017, já tínhamos mergulhado no naufrágio Vapor Bahia, que também fica em Pernambuco, quase na divisa com a Paraíba. Mas esse mergulho não teve um final muito feliz … o mar estava muito agitado e a Tatá passou MUITO mal. O Rafa, no misto de preocupação e nervosismo, acabou não checando 100% a nossa caixa-estanque, e acabamos alagando a nossa câmera. Mas essa história a gente conta em outro post.
O fato é que estávamos bem ansiosos pra esses mergulhos em Recife, e na torcida para não pegar o mar tão agitado dessa vez. Afinal, dizem que nessa época as condições de navegação costumam ser melhores. E não é que deu super certo? Continua lendo esse artigo que vamos te dar todas as dicas e informações pra você ter uma experiência tão incrível quanto a nossa!
Quando mergulhar em Recife
A melhor época para mergulhar em Recife é de setembro a dezembro, quando as águas estão mais calmas e mais claras. A partir de dezembro, embora as condições de visibilidade e temperatura da água continuem boas, o mar começa a ficar mais agitado. Isso pode causar certo desconforto nos mergulhadores, especialmente aqueles que costumam passar mal no barco.
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Nós estávamos na primeira semana de Novembro, e até achamos que estava bem agitadinho… Mas, pra região, segundo a tripulação do barco, o mar estava nas melhores condições! Então sempre pode piorar rs…
Na semana anterior à nossa chegada, disseram que o mar estava bem mais agitado, e a previsão para a semana seguinte era de que a visibilidade ficaria prejudicada.
Então, confirmando a nossa expectativa, a semana do feriado de Finados é a melhor época para mergulhar nos naufrágios de Recife! Sol, temperatura da água agradável, ausência de correntes no fundo, visibilidade de mais de 30m e um mar relativamente mais calmo na superfície. Só vai que é sucesso!
Com qual operadora mergulhar em Recife?
Fizemos todos os mergulhos com a operadora local Syrien Dive. O Max nos recebeu super bem, e garantiu um clima super agradável no barco durante todos os dias de mergulho.
Atualização: em 2023, a Syrien Dive mudou de administração. Não conhecemos a operação atual, nosso relato diz respeito a 2022, quando a operação era conduzida pelo Max Glegiston e pela Nat Pinheiro.

Todo o staff da Syrien também foram muito atenciosos e prestativos, auxiliando os mergulhadores com a preparação pra cair na água e a volta para o barco ao fim de cada mergulho.
De modo geral, a rotina dos mergulhos era assim: chegada no Iate Clube do Recife às 7h da manhã, para montagem dos equipamentos e briefing sobre os mergulhos do dia.
São cerca de 2h de navegação até os naufrágios, variando um pouco pra mais ou pra menos, dependendo do ponto que será visitado no dia.
Como de costume, são 2 mergulhos em cada saída de barco. Como são mergulhos mais profundos (entre 25m e 30m de profundidade), a duração de cada um não costuma ultrapassar os 40min.
No intervalo de superfície entre um mergulho e outro, é oferecido um lanche no barco (sanduíche, frutas e alguns salgadinhos, além de água e refrigerante). E, por volta das 14h ou 15h já estávamos de volta no Iate Clube.

Uma coisa que nos chamou atenção é sobre a organização da operação com relação à entrada e saída dos mergulhadores da água. Como o mar costuma ser mais agitado, esses momentos podem ser mais complicados, e exigem mais atenção de todas as partes.
Com a Syrien funciona mais ou menos assim: ao se aproximar do primeiro ponto de mergulho, o capitão aciona a buzina da embarcação, sinalizando que é o momento de todos começarem a se equipar.
Ao som da segunda buzina, o divemaster responsável pela operação cai na água para prender a corda no naufrágio e posicionar as bóias que servirão de apoio para os mergulhadores.
Corda presa, todos equipados, o capitão posiciona a embarcação de forma que a boia esteja alinhada com a popa, levando em consideração possíveis correntes na superfície, e soa a terceira buzina, indicando que é o momento dos mergulhadores começarem a cair na água.

No retorno do mergulho, tem outras orientações: subimos para a superfície e ficamos apoiados na bóia, até que o barco se aproxime. Então, uma corda é jogada, e nós soltamos a boia para segurar nessa corda, que vai nos ajudar no trajeto de volta ao barco.
É um pouco diferente de outras operações, mas, no segundo dia de mergulho, já estávamos todos acostumados, e vimos como realmente funciona muito bem esse esquema!
Quem pode mergulhar nos naufrágios de Recife?
Como a maioria dos naufrágios se encontram na faixa dos 25 a 30 metros de profundidade, é necessário ter o Curso de Mergulho Avançado para mergulhar em Recife. A certificação básica de Open Waters não é suficiente, pois ela permite que o mergulhador chegue apenas até os 18m de profundidade.
Além disso, é recomendado também ter a especialização em Nitrox, para poder aproveitar melhor os mergulhos, e ficar mais tempo embaixo d’água com segurança.
Ao mergulhar com Nitrox, o mergulhador absorve menos nitrogênio, o que possibilita mais tempo de fundo, uma vez que aumenta o seu limite não descompressivo.

NAUFRÁGIOS DE RECIFE: como são os mergulhos?
Ao longo dos 5 dias, mergulhamos em 10 naufrágios diferentes, e também fizemos um mergulho noturno – que foi um dos pontos altos da viagem!
Com relação à vida marinha, a principal característica são os inúmeros cardumes, além de tubarões lixa, raias e tartarugas que sempre aparecem pela região.
MERCURIUS

Foi o primeiro mergulho que fizemos. O Mercurius era um rebocador de porte médio (quase 30m de comprimento) que teve papel importante no reboque do vão central da Ponte Rio-Niterói na década de 70, junto com o Saveiros (outro naufrágio da região).
Foi afundado propositalmente em 2006, para formação de recife artificial, e está a 29m de profundidade.

Vimos muitos cardumes, incluindo um cardume de peixei-enxada lindíssimo (bem comum na região), e vários tubarões lixa deitados no porão da embarcação.
TAURUS E VIRGO

O segundo mergulho do dia foi no esquema 2 em 1. São dois naufrágios que se encontram afundados no mesmo ponto, a 20 metros de distância um do outro, e ambos a 25m de profundidade.
O Taurus foi afundado em 2006, junto com o Mercurius. E o Virgo foi afundado em 2017, é o mais recente a fazer parte do Parque de Naufrágios.
SAVEIROS

O Saveiros atuou junto com o Mercurius na construção da ponte Rio-Niterói na década de 70, e encerrou as operações em 2004. Está a 29m de profundidade.
SERVERMAR

O Servemar foi afundado em 2004, a uma distância de 9km da praia de Boa Viagem, e é um dos pontos de mergulho mais próximos da costa.
Se encontra a 25m de profundidade, e embora já esteja mais destruído que os outros, sendo que alguns destroços encontram-se fora do naufrágio, tem muita vida marinha alocada nas suas estruturas.


Vimos muitos cardumes de pequenos peixes, e animais de grande porte como tubarões lixa e raias também são frequentemente encontrados. por ali.
PIRAPAMA
O nosso preferido de todos os mergulhos que fizemos!

Afundado há mais de 1 século, ele já está bem deteriorado, tanto que só sobrou praticamente o casco. Mas, em compensação, a vida marinha que se acumulou nas suas estruturas ao longo do tempo é muito rica.
Para nossa alegria, fizemos 2 mergulhos no Pirapama: um de tarde e outro noturno. E não tinha lugar melhor pra fazer um mergulho noturno! Vimos uma tartaruga cabeçuda enorme, raias, muitas lagostas, moreia, polvo… difícil foi querer voltar pra superfície!

Um fato curioso é que, ao contrário da maioria dos outros naufrágios de Recife, o Pirapama de fato sofreu um acidente. Ele se chocou com o Vapor Bahia em 1887, mas, apesar dos danos, conseguiu retornar ao porto, onde permaneceu encostado por 2 anos, até ser finalmente afundado para construir recife artificial.
SERVERMAR X

O Servermar X foi a primeira embarcação afundada propositalmente em Recife, para a criação do Parque de Naufrágios, em 2002. Se encontra a 25m de profundidade, e tem o interior ainda preservado, como pode ser visto nas fotos abaixo.



VAPOR DE BAIXO

O Vapor de Baixo é mais um caso de naufrágio que aconteceu de forma acidental, e até hoje não se tem muitas informações sobre a data ou o que de fato aconteceu.
Ele já está bem deteriorado, e boa parte das suas estruturas encontram-se enterradas na areia, sendo possível perceber somente o contorno do casco.
Entretanto, o que mais se destaca são as rodas do conjunto propulsor, bem visíveis e que criam um ambiente bem diferente com relação aos outros naufrágios.
SÃO JOSÉ

Embarcação de 24m de comprimento, que está a 30m de profundidade.
BELLATRIX

É mais um dos nossos preferidos, dessa vez por causa do seu interior ainda mais preservado, e com ampla abertura, que possibilita a penetração dos mergulhadores.

A Nat Pinheiro, da Syrien Dive, nos acompanhou nesse mergulho, e foi a nossa guia na penetração da embarcação. Sem dúvida, foi um dos pontos altos do mergulho! É muito legal percorrer pelos corredores, cabine e sala de comando do barco.

O que mais fazer em Recife
Recife é a terceira maior capital do nordeste do Brasil, e principal ponto de partida para vários destinos incríveis como Porto de Galinhas, Praia dos Carneiros e Fernando de Noronha. Tanto que muita gente acaba dedicando apenas 1 ou 2 dias na cidade, e logo já se desloca para um desses outros destinos.
A vantagem é que as principais atrações turísticas da cidade se concentram no Centro Histórico de Recife, e em apenas 1 dia é possível visitar muita coisa legal e o melhor, fazer tudo a pé!
Além dos mergulhos imperdíveis, aproveitamos nosso tempo por lá para passear e conhecer um pouco da cidade. Alugamos uma bike e fizemos um passeio até o Recife Antigo, onde conhecemos o Marco Zero, a Rua do Bom Jesus e o Mercado São José, o mais antigo mercado pré-fabricado em ferro do Brasil.
Além disso, também conhecemos a Praia de Boa Viagem e passamos uma tarde em Olinda. Se quiser mais detalhes sobre esses passeios, veja esse outro artigo: O que fazer em Recife.

Ficou com alguma dúvida sobre a expedição ou os mergulhos em Recife? Deixa aqui nos comentários!

tira uma dúvida, vocês ja caem com o colete desinflado? e vai direto, ou cai segura na boia de apoia e todos começam a desde juntos?
Oi Ana Paula! No nosso caso, a entrada na água foi feita por duplas. Você entra ao sinal do barco, na sequência sua dupla, se dirigem para a boia, confirmam que está tudo ok, e iniciam a descida, pela corda, sem a necessidade de esperar pelo grupo todo. Mas isso pode variar, dependendo da operadora e das condições do dia.