Programa de proteção das TARTARUGAS MARINHAS de Cozumel
Um tempo depois que chegamos em Cozumel, descobrimos que a ilha abriga um programa anual de proteção às tartarugas marinhas, semelhante ao trabalho desenvolvido pelo Projeto Tamar no Brasil.
Além disso, ficamos sabendo que estamos justamente na época (julho – agosto) em que as tartarugas saem do mar para fazer seus ninhos nas praias! A possibilidade de participar do projeto como voluntários nos animou, e logo começamos a pesquisar mais a respeito.

A importância do programa
Entramos em contato com a instituição responsável pelo Programa de Proteção das Tartarugas Marinhas, a FPMC — Fundación de Parques y Museos de Cozumel, e conhecemos o diretor do Departamento de Meio Ambiente e Ecologia, Héctor González.
Ele lidera uma equipe de biólogos e brigadistas que fazem o monitoramento das praias onde as tartarugas depositam seus ovos. O trabalho consiste em identificar os ninhos e acompanhá-los até o nascimento dos filhotes, garantindo que o maior número possível chegue ao mar.

Héctor nos contou que, de cada mil filhotes, apenas 1 ou 2 sobrevivem e chegam à idade adulta. Entre os fatores que ameaçam a sobrevivência deles estão os predadores naturais, como aves marinhas, caranguejos e guaxinins, e, infelizmente, a ação humana.
Direta ou indiretamente, o homem contribui para a redução da população de tartarugas marinhas, seja através da caça, da poluição de praias e oceanos, ou da construção de empreendimentos próximos às praias de desova. A iluminação artificial, por exemplo, afasta as fêmeas, impedindo que elas façam seus ninhos ali.
Por isso, programas de proteção e conscientização ambiental são vitais, assim como a educação das novas gerações, para que cresçam cientes do impacto de suas escolhas.

Como funciona o Programa de Proteção das Tartarugas Marinhas em Cozumel
Das 7 espécies de tartarugas marinhas existentes, duas fazem ninho em Cozumel: a tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) e a tartaruga-verde (Chelonia mydas). Todo o processo de nidificação, desova e nascimento acontece nas praias do Parque Ecológico Punta Sur.
A desova acontece à noite, quando há menos luz e menos risco de predadores. Por isso, quem participa do monitoramento precisa ter muito cuidado. Qualquer movimento mais brusco ou iluminação mais forte pode afugentá-las.

Se encontramos uma tartaruga saindo do mar, não podemos nos aproximar nem iluminá-la de jeito nenhum, pois nesse momento ela está avaliando o local e garantindo que se trata de um ambiente seguro.
Já se a encontramos fazendo o ninho, a aproximação pode ser feita, mas somente com o auxílio de uma luz vermelha, que é menos agressiva para o animal. A luz branca só é permitida quando a desova chega ao final, e a fêmea retorna para o mar.
Nesse vídeo mostramos melhor cada etapa desse processo mágico e emocionante:
Tivemos o privilégio de acompanhar todo o trabalho da FPMC, desde a desova até o nascimento dos filhotinhos de tartaruga, e no final produzimos um vídeo documentando todo o processo.
Quer ajudar também?
Se você quiser ajudar a FPMC, ou participar como voluntário do programa, aqui você encontra mais informações sobre como fazer isso. Sua contribuição pode fazer a diferença para que essas espécies continuem a existir.

Participar desse programa foi uma das experiências mais marcantes que tivemos em Cozumel. Estar tão perto das tartarugas, entender seus desafios e ver os filhotes alcançando o mar nos fez perceber como cada gesto de proteção importa.
Se você visitar a ilha entre julho e agosto, reserve uma noite para vivenciar esse momento — é uma lembrança que fica para sempre.
