Quanto custou nossa Volta ao Mundo: gastos reais em 1 ano de viagem
Quanto custa viajar pelo mundo durante um ano? Antes de embarcarmos na nossa Volta ao Mundo, calculamos que precisaríamos de US$60 por dia para o casal. Mas será que conseguimos manter esse orçamento? Quanto gastamos de verdade e o que fez nossa viagem ficar mais cara do que o planejado?
Quase dois meses antes de começar nossa viagem, publicamos um artigo explicando como calculamos nosso orçamento para uma Volta ao Mundo. Agora que a viagem terminou, chegou a hora de atualizar aquelas estimativas com os nossos gastos reais.
Ao longo de um ano, passamos por diferentes países, conhecemos destinos com custos completamente distintos e fizemos escolhas que tiveram impacto direto no nosso orçamento. No final, nossa média foi de US$87 por dia para o casal, incluindo absolutamente tudo: passagens aéreas, hospedagens, alimentação, passeios, transporte e até aquele cafezinho depois do almoço.
Neste artigo, vamos compartilhar nossos gastos por país, explicar o que mais pesou no orçamento e contar o que faríamos diferente se planejássemos uma nova viagem desse tipo.

Nossa média de gastos diária planejada era de US$30 por pessoa (US$60 para o casal). A ideia era incluir todas as despesas da viagem nessa conta, desde as passagens aéreas até as pequenas compras do dia a dia.
Para conseguir organizar tudo, anotamos nossos gastos em uma planilha de controle financeiro, que nos permitiu acompanhar o orçamento ao longo de toda a viagem.
Mas, antes de dar mais detalhes sobre nossos gastos, vale fazer algumas considerações importantes. Afinal, o custo de uma Volta ao Mundo depende de muito mais do que simplesmente dos destinos que você escolhe visitar.
Cada viagem é única
A nossa média de gastos deve servir apenas como uma referência. Não dá para levar esses valores ao pé da letra, porque nossas prioridades e escolhas ao longo da viagem podem ser bem diferentes das suas.
A começar pelas passagens aéreas, que variam bastante de acordo com a rota escolhida, a época do ano e a antecedência da compra. Nosso itinerário, por exemplo, foi sendo construído ao longo da viagem, e você pode conhecer todos os destinos que visitamos no mapa da nossa Volta ao Mundo.

Além disso, por conta do blog, conseguimos algumas parcerias durante a viagem, principalmente com hospedagens e centros de mergulho. Em troca da produção de conteúdo, tivemos acesso a serviços que, de outra forma, representariam mais um gasto no nosso orçamento.
Mas é importante destacar que a maior parte da viagem foi custeada com o dinheiro que guardamos durante muito tempo, trabalhando e nos planejando para realizar esse projeto.
Outro fator importante é o nosso estilo de viagem. Não somos exatamente o que se poderia chamar de mochileiros raiz, e nos permitimos alguns confortos durante a jornada.
Não ficamos em muitos hostels e, quando ficamos, demos preferência aos quartos privativos. Cozinhamos algumas vezes, mas certamente menos do que poderíamos. E, em várias ocasiões, optamos pelo Uber ou aplicativos semelhantes em vez de utilizar ônibus locais e outros transportes públicos.
Essa escolha pelo transporte de aplicativo também tinha uma justificativa: nossas mochilas estavam pesadas. Estávamos carregando todo o nosso equipamento de mergulho, o que significava aproximadamente 23 kg de bagagem para cada um — e isso é MUITO pra quem está numa viagem cheia de deslocamentos, como é o caso de uma Volta ao Mundo.

Com mochilas mais leves, provavelmente teríamos economizado nas passagens aéreas, pagando menos (ou nada) para despachar a bagagem. Também teríamos utilizado mais transporte público e caminhado mais, em vez de depender tanto de aplicativos de transporte.
Ou seja, nossas escolhas tiveram um impacto direto no orçamento. E é justamente por isso que não existe um valor único para responder quanto custa uma Volta ao Mundo.
Quanto custou a nossa Volta ao Mundo
Depois de um ano viajando, esta foi a nossa média diária aproximada de gastos em cada país:

Bom, de cara você já pode concluir que estouramos o orçamento inicial!
Nossa média final foi de US$87 por dia para o casal, contra os US$60 que havíamos planejado.
Lembrando que nessa conta estamos incluindo TODOS os nossos gastos: passagens aéreas, hospedagens, alimentação, transporte, passeios, compras e demais despesas.
Poderíamos ter gastado menos? Poderíamos! Por que alguns países ficaram tão mais caros do que outros? E como conseguimos manter uma média relativamente baixa em destinos que costumam ser caros?
Vamos explicar alguns dos principais casos.
Estados Unidos: o peso da Califórnia e do Havaí
Com uma média de US$130 por dia para o casal, os Estados Unidos foram um dos países que mais pesaram no nosso orçamento.
Isso tem muito a ver com os destinos que escolhemos. Passamos pela Califórnia e pelo Havaí, dois lugares conhecidos pelo custo elevado, especialmente com hospedagem, alimentação e transporte.
O Havaí, aliás, foi um dos grandes responsáveis por nossa média diária ter estourado logo no início da viagem. É um destino maravilhoso, mas definitivamente não é nada econômico!

Se você está planejando conhecer esses lugares, vale conferir nossos relatos com todos os detalhes dos gastos:
Tanzânia: uma experiência que pesou no orçamento
A Tanzânia teve a maior média diária da nossa viagem: US$170 para o casal.
E boa parte disso está relacionada à experiência que tivemos no Serengeti. Embora a gente tenha feito uma parceria incrível com o Four Seasons, ainda tivemos que arcar com as taxas diárias do Parque Nacional Serengeti, que não são baratas.
Se você ainda não conhece essa história, vale conferir nosso destaque sobre a Tanzânia no Instagram. Foi um verdadeiro privilégio viver essa experiência!

Por outro lado, nossa passagem por Zanzibar teve uma dinâmica bem diferente. Conseguimos manter os gastos mais baixos, escolhendo hospedagens econômicas e aproveitando bastante as praias. Contamos todos os detalhes no artigo Quanto custa viajar para Zanzibar?.
Itália: como conseguimos gastar tão pouco?
A média de US$43 por dia na Itália pode até causar surpresa, já que estamos falando de um país que está longe de ser considerado econômico.
Mas existe uma explicação importante: conseguimos hospedagem gratuita em Roma por meio de uma experiência de house sitting.
Na prática, cuidamos da casa e dos animais de estimação de outra pessoa enquanto ela estava viajando. Em troca, tivemos hospedagem sem custo durante nossa estadia.
Além disso, passamos bastante tempo em casa, trabalhando no blog, o que naturalmente reduziu nossas despesas com passeios e deslocamentos.

Contamos melhor como funciona essa modalidade de hospedagem no nosso artigo sobre house sitting.
Índia: um país barato, mas com muitos deslocamentos
A Índia é um dos destinos mais econômicos da nossa lista, mas lá tivemos uma média de US$70 por dia para o casal.
O que acabou encarecendo um pouco nossa passagem pelo país foi a quantidade de deslocamentos em pouco tempo: visitamos 5 cidades em apenas 18 dias!
Isso também nos ensinou uma coisa importante sobre viagens longas: o tempo de permanência em cada destino influencia diretamente a média diária de gastos.

Quando você muda de cidade com frequência, acaba gastando mais com transporte, hospedagem e outros custos relacionados aos deslocamentos. Além disso, perde oportunidades de aproveitar melhor a estrutura de um lugar e economizar ficando mais tempo.
Se a ideia é viajar por vários meses, vale considerar esse fator na hora de montar o roteiro.
O que fez nossa Volta ao Mundo ficar mais cara do que o planejado?
Além das diferenças de custo entre os países, alguns fatores contribuíram para que nossa média final ficasse acima do orçamento inicial.
A variação do dólar
Quando começamos a viagem, o dólar estava em torno de R$3,30. Ao longo do percurso, a cotação foi subindo e chegou a bater R$4,60.
Como boa parte das nossas despesas era feita em moeda estrangeira, essa variação teve impacto direto no planejamento financeiro.
Uma forma de se preparar para isso é comprar moeda estrangeira aos poucos, nos meses que antecedem a viagem, em vez de deixar para fazer todo o câmbio de uma só vez. Assim, você distribui suas compras entre diferentes cotações e reduz a dependência de um único momento do mercado.
Uma maneira prática de fazer isso é abrir uma conta internacional na Wise. Pelo aplicativo, você consegue adicionar dinheiro em reais via Pix e converter para dólares quando quiser, utilizando a cotação comercial. A plataforma cobra uma tarifa de conversão e IOF, mas apresenta todos os custos antes de confirmar a operação, e costuma ser bem mais vantajosa do que as casas de câmbio tradicionais ou os próprios cartões de crédito.
É uma alternativa interessante para quem está se planejando financeiramente para uma viagem internacional e quer ir formando sua reserva em moeda estrangeira com antecedência.
Escolhemos ter mais conforto em alguns momentos

Como já comentamos, não fizemos uma viagem exclusivamente econômica.
Em várias ocasiões, optamos por hospedagens melhores, quartos privativos e transportes mais confortáveis. Poderíamos ter economizado? Sim! Mas, conscientemente, preferimos fazer algumas dessas escolhas.
Incluímos destinos caros no roteiro
O Havaí e a Califórnia são exemplos de destinos que exigiram uma parcela maior do nosso orçamento.
Também tivemos experiências específicas, como o safári no Serengeti, que aumentaram nossos gastos.
E não nos arrependemos dessas escolhas. Afinal, parte da graça de uma Volta ao Mundo está justamente em aproveitar oportunidades e viver experiências que talvez não fossem possíveis em uma viagem convencional de férias.
Carregamos bagagem demais
Nossas mochilas de aproximadamente 23 kg cada também tiveram um impacto financeiro.

Além das taxas de bagagem em alguns voos, o peso dificultava os deslocamentos e acabava nos levando a utilizar transportes mais confortáveis.
Se fizéssemos outra viagem longa, certamente pensaríamos melhor na quantidade de equipamentos e roupas que levaríamos.
Como economizar em uma Volta ao Mundo?
Depois de um ano viajando, aprendemos que existem algumas escolhas que podem fazer bastante diferença no orçamento.
A primeira delas é planejar melhor o tempo de permanência em cada destino. Como vimos no exemplo da Índia, fazer muitos deslocamentos em pouco tempo pode aumentar bastante os gastos.
Outra estratégia é equilibrar países mais caros e mais baratos no roteiro. Destinos como Indonésia, Tailândia, Filipinas e Índia podem ajudar a compensar os custos de lugares como Estados Unidos, Austrália e alguns países da Europa.

Também vale considerar alternativas de hospedagem. Além dos hostels e quartos compartilhados, existem modalidades como house sitting e hospedagem em casas de moradores, que podem reduzir bastante essa despesa.
Por fim, nossa experiência mostrou que viajar com menos bagagem pode representar uma economia importante, principalmente em uma viagem com muitos voos e deslocamentos.
Não significa que você precise abrir mão de conforto ou deixar de conhecer determinados lugares. Mas vale entender quais são suas prioridades e onde realmente compensa investir seu dinheiro.
Afinal, quanto dinheiro é necessário para fazer uma Volta ao Mundo?
A intenção deste artigo é compartilhar nossa experiência financeira para ajudar outras pessoas a planejarem suas próprias viagens de volta ao mundo.
Sabemos, por experiência própria, como é difícil encontrar informações reais sobre os custos de uma viagem tão longa. E conhecer os gastos de quem já passou por isso pode ser um ótimo ponto de partida para organizar seu próprio orçamento.
Embora a gente tenha gastado mais do que o previsto inicialmente, continuamos acreditando que é possível fazer uma Volta ao Mundo gastando menos.
É difícil estabelecer um valor mínimo necessário, porque tudo depende do roteiro, da duração da viagem, da época do ano e, principalmente, do estilo de cada viajante.

Mas, considerando nossa experiência, acreditamos que um orçamento inferior a US$30 por dia por pessoa, incluindo as passagens aéreas, implica em uma viagem bastante econômica. Não é impossível. Mas você vai precisar fazer escolhas cuidadosas e ter flexibilidade ao longo do caminho.
Pra gente conseguir manter nossa média inicial de US$60 por dia para o casal, provavelmente teríamos que visitar menos lugares, permanecer mais tempo nos destinos econômicos e reduzir alguns confortos durante a viagem.
Também seria importante levar menos bagagem, especialmente se não estivéssemos carregando todo o nosso equipamento de mergulho e de fotosub.
Mas, no final das contas, não nos arrependemos dos gastos nem das escolhas que fizemos. A Volta ao Mundo foi um dos melhores investimentos das nossas vidas!

E você, também sonha em fazer uma Volta ao Mundo? Quanto imagina que precisaria juntar para realizar essa viagem?
Se tiver alguma dúvida sobre planejamento financeiro, orçamento ou organização de uma viagem longa, deixa um comentário aqui embaixo. Vamos adorar compartilhar um pouco mais do que aprendemos nessa experiência!
E se você conhece alguém que também sonha em viajar pelo mundo, compartilhe este artigo. Pode ser justamente o empurrãozinho que faltava para essa viagem sair do papel!
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Boa tarde, tudo bem? Minha namorada conheceu a sua mãe em uma auditoria e ela nos indicou a sua página no Instagram. Parabéns pela iniciativa e sinto que nosso sonho de viajar o mundo pode não estar tão distante assim, obrigada!
Oi Sheila! Ahh obrigado!! Ficamos muito felizes com sua mensagem! 🙂 <3 Com um pouco de organização e persistência, nenhum sonho é impossível! 😉